Sábado

O escritor e cineasta Fernando Monteiro comenta a atual cena literária pernambucana


O cineasta, escritor e crítico de arte Fernando Monteiro
(Comentário sobre a carta-ensaio de Jacineide Travassos a Wellington de Melo)


"Jacineide, li a sua resposta, e daqui da Suméria (é onde eu vivo, com a vantagem de estar a 4.000 dos "alegristas" locais),compreendo o que você, basicamente, repudia -- e saiba que concordo com a sua visão da literatura (com ênfase especial na poesia), claramente embasada em leituras transparentes do seu texto bem fundamentado etc.

PS: Esse pobre "clown" -- em nada chapliniano -- chamado "Miró", coitado, não é um poeta, conforme sabem até os que promovem o carnaval, passageiro, do elogio da sua "poesia", e mais: ele só pôde surgir na lamentável maré que os já antigos versos (1926) de William Butler Yeats deploram, como se tivessem sido escritos no Recife da primeira década do século 21:

FALTA CONVICÇÃO AOS MELHORES,
ENQUANTO OS PIORES ESTÃO CHEIOS
DE APAIXONADA INTENSIDADE.

São os versos finais de "Second Advent", merecidamente célebres!"



Fernando Monteiro, 11/01/2010 (do seu mural no Facebook)


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"Jacineide: desde a terça-feira (11), eu imaginei que viria a ler aqui a opinião de outros.
Hoje, sexta-feira (14), encontro unicamente o meu comentário, solitário na compreensão do posicionamento de uma jovem crítica e escritora que não conheço pessoalmente (isso está sendo dito para os ouvidos daquele Recife que sempre imagina que adesões & apoios só podem transitar "entre amigos" e/ou compadres etc).

Não seria preciso conhecê-la em pessoa, é claro, para entender, da clareza dos seus argumentos, que você se posicionou de forma honesta e corajosa sobre a atual "cena" literária recifense, no que ela tem de menor e de enganador. Dessa minha frase, deduz-se que a tal "cena" pode não se constituir unicamente desses dois ingredientes, ao que eu suponho, porém foram eles que subiram ao palco, tonitruantes nos últimos anos, e fizeram acender as luzes mais "alegres" sobre alguns equívocos, truques e facilidades indignas da cidade de Manuel Bandeira, Joaquim Cardozo e João Cabral (em ordem não só cronológica).

Já disse, no primeiro comentário (o solitariamente postado):
escrevo daqui da Suméria -- ou seja do lugar mais longe possível das simulações de "qualidade" poética que não me enganam -- e tendo retornado à Poesia, em 2009, também como protesto pelo que está ocorrendo com a prosa de ficção, em escala nacional, neste momento. Essa "localização", que volto a enfatizar, a 4.000 anos de qualquer coisa, é para que todos saibam do meu distanciamento seguro (até para não me aborrecer com o besteirol em triunfo neste país descrito pelo igualmente distante Yeats, nos versos já citados).

Por último: acrescentei este comentário com a intenção de incentivar os omissos a lerem o seu texto e, em seguida, expressarem acordo ou desacordo, saindo do silêncio que não comunica nada (e, às vezes, é vergonhoso)."


Fernando Monteiro, 14/01/2010 (do seu mural no Facebook)
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Leia também a carta-ensaio de Jacineide Travassos:

http://tangargentino.blogspot.com/2011/01/resposta-ao-sr-wellington-de-melo-blog.html

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